Entrevistamos o idealizador do Restaurant Week Brasil
Maurício Godoi - 03/03/2008 09:10
Há uma semana a cidade de São Paulo é a sede do Restaurant Week Brasil, a versão nacional do evento que começou em Nova Iorque na década de 90. Previsto para acontecer na capital paulista até o dia 9 deste mês, cresceu em relação a sua primeira versão que contemplou apenas os restaurantes paulistanos. Desta vez embarca para outras localidades turísticas. Entrevistamos seu criador, Émerson Silveira, que fala sobre o objetivo de unir duas potências nacionais pouco exploradas, a gastronomia e o turismo.
SR:Como surgiu a idéia de trazer o Restaurant Week para o Brasil?
Eu morei nos Estados Unidos por quase doze anos. Toda essa história começou com meu segundo emprego na cidade de Nova Iorque, em um dos restaurantes do criador do evento, o chef Steve Hanson. Depois que voltei ao Brasil, no final de 2001, a minha idéia foi a de sempre trazer o Restaurant Week para cá. Apesar da primeira edição ter acontecido em 2007, iniciei já em 2002 os primeiros contatos, para fazer deste evento uma realidade em nosso país.
Atualmente todas as principais capitais do mundo tem um evento como o Restaurant Week. Eu sabia que aqui também daria certo, afinal, em termos de gastronomia, nossa cidade está no mesmo patamar de Paris, Roma e Nova Iorque. Não é à toa que temos o título de Capital Mundial da Gastronomia.
SR:Por que esse ano o evento cresceu em relação ao ano passado?
O caminho natural para o Restaurant Week é esse. Estávamos preparados. Eu, em particular, sabia na realidade qual poderia ser o crescimento em decorrência da minha experiência. Lá em Nova Iorque o evento nasceu pequeno também, e hoje é muito grande, tem várias versões durante o ano. Mesmo sabendo desse potencial, ficamos surpresos. Apesar de planejar sua expansão, este veio mais rápido do que imaginávamos. Recebemos contatos de cidades como Recife e buscamos outras capitais que desejávamos incluir no roteiro como o Rio. Outras localidades entraram naturalmente, de acordo com nosso objetivo que é de abranger destinos turísticos. Em São Paulo, mantivemos a quantidade de estabelecimentos, pois quem participou no ano passado gostou do que aconteceu.
SR:O que aconteceu?
Aumento de faturamento. Nas duas semanas de 2007, passaram cerca de 60 mil pessoas, aproximadamente 30% mais clientes no mesmo período sem o evento. Devemos avaliar que foi uma semana de feriado prolongado, quando muitos viajam. Esse crescimento foi sustentado para quem atende a quatro regras básicas de um bom restaurante, que são ambiente agradável, qualidade da comida, atendimento personalizado e preço justo. Aprendi que essas características somadas consistem na melhor forma fidelizar novos clientes.
SR:Na sua opinião qual é o maior atrativo do evento?
Sem dúvida é o preço pelo cardápio fechado. O almoço sai por R$ 25,00 e um jantar por R$ 39,00. Esses valores não são encontrados nas casas que participam. Nosso objetivo é baratear o custo e atrair as pessoas para os restaurantes, e isso funciona. O exemplo que uso é o novaiorquino. Quando é época de temporada por lá, alguns hotéis lotam. Isso é o que queremos fazer aqui e no Brasil inteiro. Lógico que ainda não atingimos esse patamar, mas é possível, em um futuro próximo, organizar pacotes com hotéis e estimular o turismo.
Outro atrativo é a parte social, um dos pilares do Restaurant Week no mundo todo. Pesquisei por três anos até definir qual seria a ONG que ajudaríamos. Escolhemos a Ação Criança que possui uma reputação incontestável. E outra, ajudar ao próximo não é nada mais do que a obrigação.
SR:Há um limite para o número de restaurantes participantes e tema por edição do evento?
O objetivo é de sempre ter entre 40 a 50 restaurantes. Em São Paulo realizaremos o evento duas vezes por ano. Nosso objetivo é estimular o turismo e unir à gastronomia, seja ela a contemporânea ou a tradicional porque ambas são muito bem representadas. O tema é sempre a alta gastronomia, uma área que está em alta no Brasil, e que cresce cada vez mais. Temos todos os elementos para o sucesso, entre eles, chefs famosos e mídia. Sem dúvida, tudo isso ajuda muito todo o segmento de bares, restaurantes e seus eventos.
SR:Como foram escolhidas as cidades e as casas que participam do evento?
Primeiro convidamos os restaurantes que participaram no ano passado. Quando vimos que alguns deles não desejavam mais fazer parte, que fecharam ou que não se enquadravam mais na proposta, fomos atrás de outros. Outra medida que tomamos para esse ano foi a formação de um comitê que é composto por celebridades, chefs e especialistas na área como o Josimar Melo. Na seleção, procuramos incluir várias cozinhas e estilos diferentes, fazer desse, um evento eclético.
SR:Como os restaurantes que não participam esse ano podem fazer para fazer parte no ano que vem?
Devem entrar em contato via e-mail contato@restaurantweek.com.br
Este site possui 1846 restaurantes cadastrados, sendo: 1393 em São Paulo e Região Metropolitana, 12 no Litoral Norte-SP, 16 no Litoral Sul-SP, 33 no Interior de SP, 24 em Campos do Jordão e Sul de Minas, 321 na cidade do Rio de Janeiro e 46 nas cidades praianas do Estado do Rio de Janeiro como Búzios, Paraty e Angra dos Reis.
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