A rua Oscar Freire acaba de ganhar o restaurante espanhol
Alma María , do empresário Juan Escudero, com projeto de Arthur Casas. De tapas tradicionais, quem assina o cardápio é o chef catalão Tony Botella, executado por Marcio Dantas, que traz em sua cozinha influência das regiões da Andaluzia, País Basco, Catalunha, Valência, Galícia e até das Ilhas Canárias.
A casa reflete a atmosfera da cultura do tapeo, com direito a uma típica ‘barra’ (balcão) logo na entrada, que serve tortillas, pan con tomate, montaditos, queijos, e jamóns ibéricos expostos e um menu de pintxos (pequenos aperitivos para comer com palitos). O restaurante, com área total de 395 metros quadrados, também conta com opções de arroces (parente dos risotos) e pratos que proporcionam aos clientes os sabores da cozinha espanhola.
Destaque da casa, as tapas levam um pequeno toque moderno, respeitando os gostos brasileiros. Na ‘barra’, os clientes encontram itens como tortillas, salada russa, batatas bravas, montaditos (pães com diversos tipos de recheios quentes ou frios), frutos do mar, entre outras especialidades.
Cardápio
Para quem quer começar a entender a arte do tapeo, o chef Botella recomenda os montaditos – pão torrado coberto pelos mais variados ingredientes. Na seção “montaditos frios”, há de cebolla confitada y queso azul (creme de queijo azul, cebola confitada e nozes caramelizada – R$ 6), de guacamole y anchoas (pasta de abacate condimentada e fillet de anchova - R$ 6), de roast beef con mostaza (Roast beef com mostarda - R$ 6) e de queso fresco y salmón (lâmina de salmão marinado e queijo fresco - R$ 6).
Entre os “montaditos quentes” estão o de pollo al curry con manzana (peito de frango cozido a baixa temperatura com maçã ao curry - R$ 7), de solomillo al ajillo (filé mignon com alho frito em azeite e aromatizado ao balsâmico - R$ 7), de morcilla y cebolla frita (chorizo negro com cebola frita - R$ 7) e de queso fundido con guayaba (goiabada com queijo gratinado - R$ 7). Clientes podem optar também pelas degustações, que reúnem as quatro opções frias ou quentes: surtido de montaditos calientes (R$ 24) e um mix dos montaditos frios (R$ 22).
Entre as cinco tapas clássicas frias, destaque para a tortilla española (R$ 14), a base de ovos com batata e cebolas confitadas, e a escalibada com anchoas (R$ 16), berinjela, pimentão vermelho e cebola braseados, com anchovas e azeite. O cardápio oferece oito opções clássicas de tapas quentes, entre elas a papas arrugadas con mojo picón (batatas grisette cozidas em sal grosso com molho picante – R$ 15), croquetas de jamón ibérico (jamón coberto com suave bechamel, empanado e frito – R$ 21) e pulpo a la gallega (polvo cozido ao estilo de Galicia, sobre batata assada com “Pimentón de la Vera” – R$ 21).
No cardápio, a seção “especiales Alma María” reúne criações do chef com toques contemporâneos, como a Gallina de angola almendrada a la mostaza (galinha da Angola cozida em baixa temperatura, amêndoas e mostarda – R$ 19) e foie al soplete en colores (terrine de foie gras caramelizado com reduções de laranja, pimentão e Vinagre de Módena – R$ 56).
Há ainda as seções “Del la huerta”, que reúne as saladas e legumes da casa, Del Mar, onde há bacalhau e outros peixes marinados e também ao forno, e “De la Tierra” com vitelo, costelas de cabrito, entre outras carnes.
Outro clássico espanhol é o fideua (lê-se fideuá) – macarrão do tipo cabelo de anjo, outra aposta do restaurante. Elaborados com o mesmo processo dos arrozes espanhóis, há a versão fideua de verduras (R$ 39), fideua negro com lulas e sua tinta (R$ 46), fideua de lagosta (R$ 48) e fideua de mix de cogumelos (R$ 42).
Para finalizar, o cardápio apresenta oito opções de sobremesas, entre elas, crema catalana de maracujá (R$ 15) e macedonia de caipirinha (R$ 14).
Sob o comando de Felipe Kravaski, a casa também conta com uma ampla carta de vinhos espanhóis, em taça, meia garrafa, sempre com preços acessíveis, que variam de R$ 9 a R$ 24. Uma das recomendações do chef Botella é a taça de Rioja Joven Luis Cañas (R$ 15).
Décor
O projeto de Arthur Casas divide o amplo espaço do restaurante em quatro ambientes. Destaque para a barra logo na entrada, ambientada com banquetas altas em azul turquesa e mesas ao ar livre. Cada ambiente tem cozinha própria e todos recebem luz natural proporcionada pelo teto em vidro.
Sobre os chefs
Tony Botella, 49, é natural de Barcelona. Autodidata, ele começou sua carreira cuidando de vários restaurantes na região de Ampurdán, na Catalunha. Ao retornar para Barcelona no início dos anos 1990, foi contratado pelo grupo catalão Paridis, do ramo de alimentação, para criar um departamento de pesquisas gastronômicas, onde começou como chef e de onde saiu, em 2001, como diretor. Uma de suas paixões é a cozinha a vácuo, sobre a qual fez diversas palestras em importantes congressos gastronômicos, como o “Lo Mejor de la Gastronomia” em San Sebastián, e o “Madrid Fusión”, entre outros.
Marcio Dantas, 43, é carioca, dos 16 anos vividos na Europa, 12 deles forma em Barcelona, onde adquiriu experiência das cozinhas espanholas, entre elas a catalã. O restante do tempo viveu na Irlanda e Inglaterra. Graduado pela Escola de Restauración i Hostalatge de Barcelona, Dantas passou pelo Rucula – uma estrela Michelin, pelo restaurante Orion, no Museu Nacional d’Art de Catalunya, em Montjuic, e foi também chef executivo do Compass Group e de uma turnê dos Rolling Stones durante na Espanha.