Alimentos sem glúten e RNA de interferência

Você já deve ter ouvido falar sobre os produtos glúten-free. O glúten é composto por proteínas, como a glutenina e a gliadina, e está presente no trigo, na cevada e no centeio. Em alimentos preparados a partir desses grãos, essa proteína funciona como uma cola, formando uma rede com propriedade elástica que irá ajudar a manter a forma do produto. Ele pode ser encontrado em pães, bolos, molhos, e até bebidas.

Esses alimentos que não contém glúten são principalmente indicados para pessoas portadoras da doença celíaca, que são aquelas que carregam o gene HLA-DQ2 ou HLA-DQ8. Essa condição genética junto com o consumo do glúten provocam a reação autoimune. Esses genes estão envolvidos na apresentação das moléculas do glúten como um antígeno, um invasor, para as células T. Assim as células do sistema imune são estimuladas a reagir, e acabam destruindo as células do intestino;

Sintomas de intolerância ao glúten

Alguns sintomas são perda de peso, desconforto abdominal, diarreias e outras complicações. Esses alimentos também são indicados para alérgicos ao *trigo (e sensibilidade ao glúten). Nos alimentos sem glúten, a farinha de trigo precisa ser substituída por uma combinação de outras farinhas, para que sejam a base do alimento. Para que o produto não fique quebradiço, já que ele está sem a sua cola, podem ser adicionados carboidratos e gorduras, tornando-os, muitas vezes, mais calóricos e certamente mais caros.

Por isso, a biotecnologia está buscando uma nova alternativa para aqueles que não podem consumir o glúten. Através do mecanismo de interferência por RNA, estuda-se o desenvolvimento de trigo sem glúten. Ou ainda, o silenciamento de alguns de seus componentes, já que não são todos responsáveis pela reação autoimune. A interferência por RNA é um mecanismo já existente em eucariontes, diferente do CRISPR, que é característico de bactérias e tem como alvo o DNA. Com o estudo desse mecanismo de silenciamento da expressão de genes, identificado inicialmente em plantas, desenvolveu-se essa técnica.

A técnica do RNA de interferência, clique aqui, irá inibir ou silenciar a expressão de um gene, e para isso utiliza uma pequena molécula de RNA, que pode ter sido introduzida ou sintetizada pela própria célula, um complexo chamado RISC e a enzima Argonaute. Inicialmente a fita dupla de RNA, dentro da célula, será clivada pela enzima DICER, a um tamanho de aproximadamente 20 nucleotídeos. Depois a fita guia irá se juntar ao complexo RISC, que irá encontrar o seu complementar em forma de RNA mensageiro, ou seja, o intermediário entre o gene e a proteína. Ao se ligar ao complexo, a enzima Argonaute irá clivar o RNAm. Esse RNAm quebrado será degradado, impedindo sua tradução em proteína.

Assim, tem-se a interrupção da sequência gene, RNA, proteína, e portanto, a inibição da expressão daquele gene. Para a produção dos componentes do glúten no grão de trigo, é necessária a ação de uma outra proteína, que é uma DNA glicosilase. Essa DNA glicosilase irá ativar os promotores desses genes que sintetizam os componentes do glúten.

Então, se for realizado o silenciamento dessa glicosilase, não teremos mais a ativação e a produção das proteínas do glúten. Deixando o grão e sua farinha livres dessas moléculas imunogênicas. Espera-se que os produtos fabricados com essa nova farinha sejam mais uma alternativa para aqueles que necessitam. Se você se sentir mal tente fazer uma dieta sem glúten.


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